domingo, 18 de setembro de 2016

Travessia do Rancho Caído

E lá vamos nós para a minha 4ª (quarta) edição desta maravilhosa travessia em Itatiaia. Eu sou do tipo que quando gosta de um lugar é pra valer mesmo, e curto repetir sempre. Assim é com a Pedra do Sino (Serra dos Orgãos), Travessia Petrópolis x Teresópolis, Cobiçado x Ventania e Rancho Caído.

Mas quase que esta travessia não saiu desta vez. Realizamos nos dias 27 e 28 de Agosto, mas originalmente estava programa para 23 e 24 de Julho. O motivo de não ter sido realizado nesta data foi devido a um incêndio que ocorreu no parque, justamente na véspera, a poucas horas de nossa partida. Por sorte os membros decidiram em mudar o destino e fomos para o Capim Amarelo. Mas isto é uma outra história.

Depois de dormir mal de quinta para sexta, e de simplesmente não dormir de sexta para sábado, pois a van iria me pegar a 01:00 hs da manhã, que acabou por chegar atrasada a 01:30, partimos com mais um amigo, que já estava em casa, rumo a rodoviária Novo Rio para pegar a maioria do grupo. Teria mais um para pegar em Piraí.

Depois de um certo atraso na Rodoviária, devido a espera de um casaco de um dos membros, que havia esquecido na casa em que ficara hospedado (mas foi rápido), partimos finalmente. Pegamos quem faltava em Piraí e paramos na Garganta do Registro. Ponto de acesso a estrada que liga ao parque. Havia combinado com o "Mineiro" que prontamente estaríamos lá para tomar um bom café da manhã com ele. Sinceramente tomar café da manhã nos postos "Graal" ninguém merece. É ruim e caro. Lá no Mineiro foi muito mais barato e humano o atendimento.

No Mineiro



Seguimos pela estrada de chão, por cerca de 13 km até a entrada do parque conhecido como Posto Marcão. Vale a menção que esta estrada está cada vez melhor, pois estão jogando concreto em diversos trechos. Ela não está plana nestes trechos, mas está bem melhor do que nos outros. Chegamos por volta das 07:15 hs e já se encontrava cheio o parque. Eles agora colocaram um sistema de senha para agilizar e ordenar o atendimento. Mas para ter uma ideia eu fui o de número 20. Resolvido os problemas burocráticos, tiramos a foto em frente a placa de entrada do parque e partimos. Mas antes um fato que nunca me ocorreu antes, e  que merece ser mencionado. Um dos nosso membros da expedição desistiu, temendo não aguentar o frio. Ele já estava receoso lá na Garganta do Registro, e como já teve uma experiência um tanto traumática com frio, achou melhor não arriscar com o equipamento que tinha. Achei louvável a atitude dele. Muito ligariam o "dane-se" e iria em frente. Ele usou o bom senso. Parabéns!

Na Entrada do Parque



Seguimos pela longa estrada de terra que corta até o abrigo rebouças. Lá chegamos, descansamos e tiramos algumas fotos. Um grupo enorme de pessoas passou pela gente indo em direção as Agulhas Negras.

A Estrada para o Abrigo Rebouças

O Abrigo Rebouças



Havia também gente do exercito lá fazendo algum treinamento com material de escalada e rapel. Depois de cerca de 20 minutos seguimos também. Ao londo desse primeiro trecho, ele pode parecer confuso, pois aparenta várias bifurcações. Mas todos eles dão no mesmo lugar. E é durante este caminho que vimos pela primeira vez a famosa Prateleiras. Fomos até a ponte pênsil. lógico que sua travessia sempre rende boas fotos e não foi diferente no nosso grupo. Continuamos a jornada até a bifurcação que separa do caminho para a cachoeira Aiuruoca (esquerda) e Agulhas Negras (em frente). Logo em seguida pegamos novamente a esquerda. Neste trecho apesar de bifurcações seguidas não tem mistério. É sempre pegar para a esquerda. Apesar que sempre tem as placas indicando o caminho.

Um pássaro e as Prateleiras ao fundo



Ponto Pênsil


Após estas bifurcações começa a subida mais puxada do dia. E aí você começa a ver o nível de preparo físico de cada um. Alguns tiveram dificuldades e nossa passada teve que ser mais devagar. Esta subida não é considerada pesada, como temos muitas por aí. Como a clássica "Isabeloca" da travessia Petrópolis x Teresópolis, da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro e até a do Capim Amarelo na Serra Fina. Longe disso. Mas estamos andando a 2400 metros de altitude. Faixa que começa a aparecer os famosos sinais do mal da montanha. Mas no nosso caso só causa no máximo dores de cabeça e um cansaço maior. O que atenua esta subida é que você vê o grande paredão das Agulhas Negras ao longo dela e em seguida a Asa de Hermes. Foi neste trecho que cruzamos pela primeira vez com as "noivinhas". Um trio de três meninas que estavam realizando uma despedida de solteiro bem original. Posteriormente elas publicaram o relato no site Extremos. Por várias vezes nossos caminhos se cruzaram ao longo do caminho.


Lagos

As Agulhas Negras ao fundo



Passamos pela bifurcação da Pedra do Altar e seguimos direto pela tilha passando por baixo da mesma pedra. Muitos podem achar que pela pouca altura da Pedra do Altar não vale a pena uma visita. Mas vale sim. De lá você consegue ver toda a parte que compreende os Cinco Lagos, inclusive consegue ver também as Prateleiras. Estre trecho é muito bonito, pois você anda entre rochas o tempo tempo. Parece que você está em outro planeta.

Pedra do Altar



Ao final desse trecho damos numa encruzilhada, com possibilidade de retorno a entrada do parque. pegando a esquerda, e fechar um circuito que eles chamam de "Cinco Lagos". Você também pode usar este trecho quando estiver na portaria para servir de "atalho" e encurtar sua ida a travessia tanto do Rancho Caído como da Serra Negra, assim como a ida a Cachoeira Aiuruoca. Porém não irá contemplar o trecho do Abrigo Rebouças até aqui como foi descrito anteriormente. Neste ponto também dá para tirar lindas fotos do vale adiante. Porém não é por ele que vamos. E sim flanquear o morro a direita seguindo pela óbvia trilha.

Bifurcação para retornar a entrada



A medida que entramos pela trilha um novo vale se faz mostrar. Descortinando em um grande plano de uma vegetação rasteira típica dos Campos de Altitude, E a direita começam a aparecer os grandes monumentos desta parte do planalto: Os Ovos da Galinha e a Pedra do Sino de Itatiaia. Seguindo sempre pela esquerda desta parte plana, você passa por uma das nascentes do rio Aiuruoca, logo em seguida você passa pela placa que indica a divisa do caminho de quem vai para o Rancho Caído/Cachoeira Aiuruoca e Serra Negra. Mais cinco minutos andando você chega ao encontro das nascentes que forma o início do rio Aiuruoca. Ótimo local para um descanso mais longo, pois há bastante espaço para o pessoal descansar. Mas para quem quiser visitar a famosa cachoeira Aiuruoca é só seguir a trilha que vai beirando o rio a direita por cerca de um minuto que você chega na cabeceira dela. Cruze-a, pois a trilha para descer está do outro lado. Ela é ingrime e um pouco fechada. Mas vale a pena sua descida. É só fazê-la com cuidado.

As "noivinhas" e o vale do Aiuruoca



Cachoeira Aiuruoca


Depois do descanso é só continuar seguindo a trilha. Ao longo dela vai aparecer umas varetas com a parte de cima vermelha. Elas servem para orientar que está na trilha certa. Continue seguindo, aos poucos você vai deixar o vale do Aiuruoca e vai para parte de trás dos Ovos da Galinha, facilmente reconhecido pelas pedras sobrepostas. Lá demos uma parada e encontrei um antigo amigo de trilha Felipe Labeta, responsável pelo Drone Aventura. Se ainda não ouviram falar vou deixar um link depois. Ele havia acabado de fazer uma filmagem na Pedra do Sino de Itatiaia.

Ovos da Galinha (a esquerda) e a Pedra do Sino (a direita)



Ovos da Galinha


Dali seguimos agora em direção ao morro que antes estava a nossa esquerda. O início desse trecho é meio confuso. Mas é só achar a vareta de ponta vermelha e seguir por ali. No meio do caminho para o alto houve uma pequena confusão. Pela informação que me passaram um dos nossos membros tinha ficado para trás devido a Gopro dele. Imediatamente fui atrás, mas foi tudo um mal entendido. Inclusive ele já tinha passado por mim. Com isso fiquei atrás na marcha e quando cheguei la´em cima no morro, o pessoal já havia seguido a frente. Como o Alberto já tinha feito esta travessia e conhecia o caminho não fiquei preocupado. Encontrei ainda alguns dos membros, inclusive a pessoa que pensei que ficou para trás. Aliás acima desse morro você tem uma das vistas mais linda desta travessia. Vê imensos vales e montanhas adiante. Muito bonito.







Começamos a descida para agora chegar em novo vale. Onde tem a nascente do Rio Preto. Rio este que até chegar no Rio Paraíba do Sul, vai servir de divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ao passar por este rio seguimos para a direita. Ele se assemelha muito ao planalto que passamos anteriormente, porém agora em uma versão menor. Mas neste momento tudo que o pessoal quer é chegar logo. A marcha neste primeiro dia são de cerca de 16 km. O que mais o pessoal queria era chegar logo no acampamento. Principalmente quem já estava bem cansado e se arrastando. Mas ainda tem coisa para ver. Uma curiosa pedra cheia de pontas para cima e agora as Agulhas Negras visto por trás. É muito importante seguir a trilha com as varetas, pois em um determinado momento você vai dar numa área de "acampamento". Cuidado para não ir para esquerda entrando nesta área. O caminho não é por aí. Voltei e carreguei a cargueira do nosso membro mais cansado até a este espaço e orientei os demais no caminho correto.

Vale do Rio Preto

A estranha pedra pontiaguda e a parte de trás das
 Agulhas Negras ao fundo


Continuei seguindo as varetas até entrar num pequeno trecho de mata fechada. Ali começa a descida runo ao Rancho Caído. Depois de uma longa descida em uma trilha as vezes com erosão, você chega a um rio. Antigamente nós pularíamos. Aliás como tinha alguns a frente, assim o fizeram. Mas alguém descobriu que tinha duas pedras no trajeto. E era só colocar o pé nelas. Bingo. Foi o que fizemos. Depois é só seguir por mais 5 minutos e você chega ao Rancho Caído. Procure na mata a esquerda uma entrada. Dentro dela tem uma clareira onde dá para colocar vária barracas. Montamos as barracas lá dentro. O Alberto montou a dele fora da parte abrigada. Assim como as "noivinhas". A área é muito boa, pois fica perto do rio. Fizemos a nossa janta e fomos apreciar outra maravilha desta parte do parque. O céu noturno. Mas que céu é este. Dá para ver a Via Láctea com detalhes. Como eu lamento não ter uma câmera com um bom obturador. Não vejo céu assim em lugar nenhum. Mas não acabou aí. Uma de nossas participantes teve um problema com o isolante térmico inflável. Socorremos com alguns casacos e cobertores de emergência, mas deu tudo certo.


Nossas barracas no local abrigado

De manhã, despertamos, fizemos um café da manhã coletivo com a participação das "noivinhas". Arrumamos as barracas em seguida e partimos com um certo atraso. As meninas da despedida de solteiro foram a frente, mas não antes de deixar o registro fotográfico. Muito simpáticas. Seguimos a frente passando por um pequeno charco e adentrando a um belo vale a esquerda. Descemos um pouco sobre ele até que caímos para direita e começamos a contornar a parede a direita deste vale. Contornando chegamos a última atração desta travessia. A maravilhosa visão do vale de Visconde de Mauá. Neste momento também seria a última vez que veríamos a parte de trás das Agulhas Negras. Eu costumo de chamar este lugar de Mirante.


Nosso café da manhã compartilhado

Me despedindo das "noivinhas"

Partindo

O belo vale





Vista do vale de Visconde de Mauá


Vendo pela última vez as Agulhas Negras


Dali começamos a longa descida até despedirmos da vegetação dos Campos de Altitude e suas rochas, e adentrarmos na Mata Atlântica. Paramos em um pequeno rio para abastecer os cantis. dali para o final seriam mais duas horas de caminhada. Partimos e em cinco minutos chegamos ao que era a antiga bifurcação de quem desejaria seguir em frente e sair em Maringá ou pegar a esquerda para a Cachoeira do Escorrega. Só que a opção Maringá não existe mais. Ela se encontra fechada. Menos mal, pois poderia alguém se perder.


Local da saída da trilha



Seguimos agora por dentro da mata, passando somente por um pequeno trecho descampado. Nossa marcha não poderia seguir mais rápido, pois tínhamos um dos participantes com problemas no joelho. Os bastões de caminhada dele literalmente viraram bengalas. Depois de muito caminhar e descansar em um dos rios que cruzamos, seguimos adiante até sairmos na antiga estrada do que já foi uma propriedade particular. Era o fim da trilha. Seguimos por esta estrada até chegarmos na Cachoeira do Escorrega. Para quem teve coragem, entramos nas águas congelantes do rio preto, e os mais corajosos ainda desceram pelo escorrega.

Viemos lá de cima





Já na antiga estrada da área particular



E assim terminou a nossa excursão. Ainda almoçamos em Maromba antes de partimos. Apesar dos problemas físicos do nosso membro mais velho, foi uma das mais tranquilas que eu já fiz. Agora é esperar pela quinta travessia no ano que vem.

11 Picos mais altos de acordo com o IBGE

http://blogdescalada.com/quais-sao-as-11-montanhas-mais-altas-do-brasil-incluindo-a-extraoficial/